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LIVERUN | ESPORTES

Postado em 15/11/2007 12:30 por Rodney Peixoto

Exclusivo - Entrevista com Valmir Nunes

Valmir Nunes concedeu uma entrevista exclusiva ao LiveRUN, falando de suas conquistas recentes e de particularidades de sua vida de ultramatonista.

1. LiveRUN: Quando você iniciou em ultramaratonas, e como foi esse início?

Valmir Nunes: Em junho de 1990 em Minas, Uberaba, 100 km, onde venci com 7h15min. Foi difícil mais o amor pela ultra me fez suportar tudo. Meu foco era só correr atrás dos meus sonhos.

2. LiveRUN: Vamos falar da Badwater Ultramarathon. Essa ultra é considerada a mais difícil do mundo, pela temperatura, altimetria e altitude, e você não somente ganhou a competição como bateu o recorde da prova em mais de uma hora (os organizadores estimaram o tempo de chegada em 24-28 horas). Como foi sua adaptação local e os seus primeiros dias no deserto? Como foi a sua alimentação no dia anterior a largada da Badwater?

Valmir Nunes: Fiquei dez dias treinando no deserto. A alimentação foi com frutas, água, pão, café, arroz, batata frita, frango.

3. LiveRUN: Qual foi a sua estratégia para vencer a Badwater ?

Valmir Nunes: Fazer meu ritmo, não se preocupar com nada, só com a minha corrida.

4. LiveRUN: Qual foi o momento da Badwater que você soube que ganharia, e qual foi a maior dificuldade enfrentada na prova?

Valmir Nunes: Depois da primeira subida de 15km contínuos, no km 95 senti que estava forte de cabeça, pernas, fôlego e ritmo. O tênis e minha equipe respondiam bem. O momento mais difícil foi as primeiras 4h, depois me superei, nos últimos 20km foi terrível, era uma montanha que subia de 1250m à 2500m, os últimos 17km tive caminhar e alternar com trotes minhas pernas incharam e vomitei.

5. LiveRUN: A Badwater é famosa entre outras coisas por derreter tênis dos atletas no asfalto, além de fazer com que grande parte dos ultramaratonistas desista ou desmaie no meio do caminho. Quantos pares de tênis você usou pra finalizar a competição e como você suportou temperaturas de 50° Celsius e chegou inteiro, como podemos ver no vídeo da prova?

Valmir Nunes: Eu corri só com um par de tênis da Brooks, modelo “racer st”, não tive nenhuma bolha e nem perdi nenhuma unha, fiz uma boa hidratação e tive um bom time comandado pelo Ely da Brooks, isso me deu confiança para correr bem.

6. LiveRUN: Ter no currículo um recorde na Badwater, vitória na Spartathlon, bicampeonato mundial nos 100K,recordes mundiais e sul-americanos em 24Hrs e 100K dentre outros é ter o nome escrito no olimpo dos atletismo mundial. O seu recorde na Badwater foi destaque no mundo dos ultramaratonistas do mundo todo, mas principalmente nos Estados Unidos, pois você deixou pra trás os atletas locais conhecidos, como Dean Karnazes (que desmaiou na primeira tentativa e tem esse episódio como o pior da sua carreira de corredor). Falando português claro, os americanos ficaram de "queixo caído" com a sua vitória. Como você vê esse reconhecimento no exterior que não se estende ao Brasil? O que falta no Brasil para a ultramaratona ser mais conhecida, e os seus atletas também?

Valmir Nunes: No Brasil, a ultramaratona não tem tradição. No exterior esse tipo de prova é normal ha muitos anos, com muitos participantes de varias idades. Para a ultra crescer no Brasil, precisamos ter mais corridas de ultramaratona, bem organizadas.



7. LiveRUN: Você é de Santos, litoral de São Paulo, e treina em altas temperaturas. Isso com certeza deve ter colaborado para o seu sucesso na Badwater, mas você já ganhou um titulo mundial em 1991, nos 100K de Nova York, em temperaturas muito baixas. Como você consegue correr com tamanha variedade de temperaturas e o que faz para manter-se confortável com essas variações.

Valmir Nunes: Treinar em Santos é muito difícil. A umidade, as altas temperaturas e o tipo de terreno, fazem com que o organismo adquira uma resistência muito grande, fazendo com que eu corra com qualquer clima. Apesar de eu preferir o calor para competir.

8. LiveRUN: Falando no titulo de 1991 nos 100K, conte-nos como foi essa conquista.

Valmir Nunes: Foi dura. Eu havia vencido os 100km de Madri no mês de abril, com o tempo de 6h35min41 uma competição difícil pelo nível de atletas e pelo percurso duro. Bati o recorde da competição no mês de maio fui campeão do mundo na Itália nos 100km com 6h35min35 novo recorde. Logo depois fui chamado para correr o mundial na Itália, não ia,mas resolvi de última hora correr, desembarquei na cidade errada, cheguei de manhã na cidade de Faenza cidade da chegada da corrida. Fui com a organização para a cidade da largada no dia seguinte de manhã e a largada foi as 16:00hs em Firenze. Os primeiros 50km são quase todo em subida, passei com 3h32min, fechando os últimos 50km com 3h03min, correndo a prova para o tempo de 6h35min35.

9. LiveRUN: Você é amigo de Scott Jurek, um dos principais nomes da ultramaratona mundial. Como é competir com ele, seu companheiro de equipe (ambos são patrocinados pela Brooks)?

Valmir Nunes: Por corrermos pela mesma equipe foi bom corrermos lado a lado, pensando no resultado da equipe. Em Sparta sempre procurarmos fazer um jogo de equipe para buscar-mos os primeiros colocados, corrermos juntos até o km 160, depois como já vinha da Badwater comecei a sentir o cansaço e dores.

10. LiveRUN: Spartathlon, a corrida mais emblemática do mundo. Como foi a experiência de ser campeão da prova em 2001,e como foi participar em 2007.

Valmir Nunes: Ser campeão da Spartathlon é diferente, pelo valor histórico e importância mundial do evento. Foi fantástico! Em 2007, aceitei o convite do Scott, fiz uma boa prova apesar do cansaço e das dores.

11. LiveRUN: Bater o recorde na Badwater e apenas 2 meses depois chegar em terceiro na Spartathlon é um feito sobre humano. Qual a preparação que um atleta precisa ter para chegar a esse nível?

Valmir Nunes: Eu como Ultramaratonista, estou acostumado a sempre me superar, devido ao meu volume de treinamento. O desafio sempre me estimula, ele me dá emoção que faz eu suportar as dores e o cansaço. È claro que a genética ajuda bastante, mas os treinos são muito importantes.

12. LiveRUN: Qual a sua freqüência cardíaca correndo e em repouso?

Valmir Nunes: Correndo é de 120 a 170 batimentos, mesmo em trabalho de areia e morros.
Em repouso de 30 a 40 batimentos.

13. LiveRUN: Quais são as características dos seus treinos, intensidade, volume e velocidade?

Valmir Nunes: Corrida continua extensiva em areia e morros. Além da corrida continua variada.

14. LiveRUN: Você além de ultramaratonista campeão é técnico de corridas. Qual o conselho do campeão/técnico Valmir Nunes para quem quiser correr desde uma corrida de 5K ate uma ultramaratona?

Valmir Nunes: O importante para todas as distâncias é ter acompanhamento de um médico esportivo e um profissional da área de educação física, além de uma boa nutricionista.

15. LiveRUN: Quais os seus planos para 2008?

Valmir Nunes: Depois de minha recuperação*, irei correr umas três a quatro competições que eu irei decidir no decorrer do ano.



*Valmir Nunes vai se submeter a uma cirurgia em 22 de novembro. 

 



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